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sábado, 31 de janeiro de 2015

Sanidade Insensata

Em meu devaneio eu creio; 
De sanidade estou cheio; 
Vida comum eu não anseio; 
Me disseram vem por aqui, mas  ali contraveio; 

Quero morar junto a minha loucura; 
Procurar por toda as manhãs a minha abotoadura; 
Andar livre de minha armadura; 
E me libertar das amarraduras; 

Conjecturas solenes; 
Vidas secas e serenes; 
Sair sem querer voltar ao toque da sirene; 
Portos e portões, vielas e becos, se espremem; 

Amanhecer junto ao dia; 
Lavar o rosto no tanque e não na pia; 
Fazer sexo selvagem em uma tremenda orgia; 
Minha vida anda chata, talvez muito tranquila; 

Vou buscar o além onde me encontrem; 
Ficar perdido sem ninguém, esperando o acalento de outrem; 
Eu me basto sozinho, pois aqui todos me tem; 
Mas o contraveio do ali, sobrevem; 

E por mais uma vez me pergunto, sou quem? 
Sou quem, eu quero ser? 
Sou quem, vocês gostariam que eu fosse? 
Sou quem, eu quiser e quando eu quiser! 

As vezes o preço é caro, mas estou disposto a pagar; 
Só não me venha dizer vem por aqui; 
Pois ali é que vou me aconchegar; 
E com certeza se for por ali para trás do aqui eu não vou olhar; 

Chegue mais perto não consigo ouvir sua voz; 
Os que são daqui, não se parecem com os dali; 
Não entendendo porque não quero; 
Mas ficar ali é o que eu espero.........