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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O Resto de Mim




Quanto mais subo a montanha, mais forte e gelado os ventos ficam
Minha voz já não faz eco, meus músculos não se tonificam
Levo em minha sacola um pedaço de pão, um cobertor e uma garrafa de vinho

Embaixo de um pinheiro, vou fazer minha fogueira de pinho
Pretendo espantar o frio e os males que me dão calafrio
Uso o resto de minhas forças, para tentar me manter vivo

Trouxe comigo também eu mesmo, que eu já havia esquecido
Talvez eu tenha que viver deste modo, para não ter mais com quem me desentender e de mim mesmo vou ser amigo
Levei minha vida fazendo o bem, paguei sempre mais do que as pessoas valiam e não recebi o troco

Vou fazer minha casinha, dentro daquele tronco oco
A natureza me dará tudo de que eu preciso, e se eu abusar ela cobrará o seu preço
Talvez me isolar seja o que eu preciso, talvez me isolar seja o que eu mereço.....


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Viajante do Tempo



Me encontro no presente de ser eu em um futuro, me encarregando do passado que talvez fosse obscuro;
Revivi e me matei, diversas vezes, até descobrir, o bem e o mau de se viver, quem eu era, o que faço, e em quem me transformarei;
Descobrindo quem eu fui, talvez saiba quem eu sou, ou quem serei, mas uma coisa é bem mais certa, me amo mais hoje do que ontem e me amarei muito mais vezes que amanhã;
Viajando pelo tempo conseguia me lembrar, de coisas que esquecia, mas não sei se é bom lembrar, sempre volto do futuro, não deixando eu me esquecer;
Quem sabe hoje em dia, a coisa certa eu possa fazer, para hoje, amanhã ou em um dia, eu nunca mais ter que temer;
Me lembrei de muita coisa, e o meu futuro como eu via, nunca mais vou poder ter;
Mas lhe confesso meu amigo (para eu mesmo), não sei o que é melhor, ter lembrado ou esquecer;
Não me vejo mais o mesmo, pois, as viagens pelo tempo, me fez enlouquecer;
No passado eu era eu mesmo, no presente sou quem sou, no futuro que era incerto voltei a ser quem era, como a cobra que engole o próprio rabo, para ter a vida eterna;
Então hoje eu acredito, que o que fui é um reflexo do presente do futuro...


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Versos Simples




Em versos simples trago o mais rico de mim;
Pobre para os olhos dos tolos;
E suficiente à quem não enxerga o fim;

Dentro de mim existem riquezas, valores que não tem valor;
Não falo de ouro nem de finos diamantes lapidados;
Mas sim de tesouros a muito guardados;

Eu falo do amor que de herança foi deixado;
Quem entende, entende e quem não entende;
Que carregue o seu fardo.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Não diga mais nada




Ventos que trazem, ventos que levam;
Amores que voam, saudades que ficam;
Alegrias de um novo amanhecer, e dor de não conseguir dormir;

Eis que surge um alívio para as amarguras do amor;
Mas as palavras machucam mesmo quando não dizem nada;
Como o silêncio dos beijos que não foram beijados;

Tão nova e inexperiente, mas tão sábia e manipulada;
Não sabes a força que tem, e não quis ser amada;
Agora se lembre da minha ausência, e não diga mais nenhuma palavra;

Seguirei meu caminho, e não nos cruzaremos na estrada;
Me deixou sem respostas;
E vai viver sem amor, como quem não se importa com nada...



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Eu só sei Escrever




Definitivamente eu sou um poeta, não pude ser ator, não pude ser um atleta;
O que mais sei fazer, nem de ler eu gosto, só sei escrever;
E também só escrevo quando as palavras me caem ao colo, escuto ecos, de meus próprios murmúrios;
Sou tão grande quanto à cabeça de um alfinete, posso ser quase invisível, mas pode acreditar, eu estou ali;
Homem de poucas palavras, mais observa do que faz outra coisa, talvez junte todas as folhas amareladas do tempo, e as leve a alguma editora, talvez possam aproveitar-se de algo;
Para mim, são apenas meus pensamentos, para mim são só loucuras, definitivamente não sei fazer outra coisa, só sei escrever;
E muitas vezes ainda sinto preguiça, ah se não são as palavras que meu sono desperdiça, ficam a me espreitar, como gato que seu alimento atiça;
É charmoso o cigarro no canto da boca, sair meio que descabelado, gravata a meio pescoço, como de quem sai do trabalho exausto, mas só sei escrever;
Se não forem a noites boemias, se não forem à luz das centelhas, se não for eu despido da preguiça, não seria mais nada, eu só sei escrever;
Sai pela porta dos fundos da casa de meus pais, pois, a porta da frente só servia aos que trabalhavam, não gosto de horários, não gosto de acordar cedo, sou um ser invisível, mas continuo aqui, ali, acolá;
As palavras me vem com facilidade, dizem adeus a preguiça, dizem adeus a vaidade;
Orgulho para que, orgulho de que, só sento meu traseiro em um sofá, ou deito-me em um colchão confortável, e escrevo, é tão fácil;
Podem me chamar do que quiserem, problemático, folgado, vagabundo, preguiçoso;
Só sei uma coisa e só tenho uma certeza na vida;
Eu só sei escrever....