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sábado, 6 de fevereiro de 2016

Já foste

Já foste tarde; 
Nem descobriu meus segredos; 
Sou feito de eras; 
Vou e volto, em um piscar de olhos; 

Já foste tarde; 
Nem soube, que me descubro sozinho; 
Não sinto frio; 
Pois, meu corpo é quente; 

Já foste tarde; 
Mesmo que ausente; 
Sem desembrulhar o presente; 
Sorrio mais ainda, contente; 

Quem dera foste eu; 
Como quem fostes tu; 
Sem temer as tempestades; 
E os ventos que levam embora a alma; 

Já foste tarde; 
Para amar as pessoas; 
Para escutar uma música em volume alto; 
E gritar para que todos ouçam... 
 Não confio em vocês. 

Já foste tarde. 



sábado, 19 de dezembro de 2015

Como a Fina Camada de Manteiga

Sou frágil, fino, cristalino; 
Como a fina camada de manteiga; 
Que se derrete, no pão, que acabou de sair do forno; 

Sou o pé que balança, na beira; 
Sou o fruto, do futuro; 
Delicado e bruto; 

Gentil e astuto; 
Mal compreendido, por aqueles; 
Que são donos de suas verdades; 

Não sabem de nada; 
Se afogam em suas vaidades; 
São a grossa camada de manteiga de amendoim; 

Eu vou ser a fina camada de manteiga; 
Me espalhando, pelo mundo, sem fim. 



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Não Olhe por Entre a Fresta

As verdades se mostram mentiras; 
Desafortunados e suas angustias; 
Exploradores em sua busca; 
O sol que ora ilumina, agora me ofusca; 

A vida pertence a quem luta? 
Prefiro, o ócio; 
Usufruir dos artifícios da mente astuta; 
Essa é a verdade absoluta; 

Sou do dia, o equinócio; 
Sou a hora certa, do momento propício; 
No ano novo, os fogos de artifício; 
O contrato, mesmo rasurado, que se torna vitalício; 

A verdade se tornam mentira; 
Quando se conhece, o fim da linha; 
O rei que mesmo destronado, demonstra sua simpatia; 
Reverenciando a modéstia; 

Que ora convence ora molesta; 
Aproveite a vida que lhe resta; 
A outra vida que lhe impuseram, acredite, não presta; 
Não olhe por entre a fresta...



Não Tente Entender

Meu rosto hoje pálido; 
Reflete no espelho; 
Lembranças, de meu olhar cálido; 

Ventos cortantes me percorrem; 
Me esvaziando tão rápido, 
Gotas de meu suado sangue, escorrem; 

Vou quebrar os espelhos; 
Fechar as janelas; 
Acender em minha casa, todas as velas; 

Tente entender pelo que estou passando; 
A face do poeta se revela; 
Não sou humano, não choro, nem sorrio; 

Sou poeta; 
Sentado a beira do rio; 
Esperando e admirando, o pescador na canoa, com seu assovio; 

Não perco, nem ganho; 
Não bato, nem apanho; 
Hoje em dia, até o desgosto, anda, me inspirando; 

Não tente entender pelo que estou passando...